Quem sou eu

Minha foto
Cordeirópolis, SP, Brazil
Bacharel e licenciado em História, pesquisador em história local e funcionário público.

Clique e conheça nossa editora

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

113 anos da criação do Distrito de Cordeiro - 3


Tanto no abaixo assinado de 1887, para criação de uma escola em Cordeiro, como neste, percebe-se que a comunidade de Cascalho não foi consultada ou não tinha relacionamento com o setor político que encabeçou a proposta. Um indício da situação desconfortável em que se encontrava a povoação foi a reportagem do jornal “Estado de São Paulo”, do dia 18 de julho de 1899, onde se dizia que o jornal “Cidade de Limeira”, em editorial da mesma semana, teria combatido a pretensão de que o bairro passasse a pertencer a Araras. A reação à “anexação” de Cascalho pelo município vizinho teria gerado, segundo o correspondente, um protesto em Cordeiro. Percebe-se, neste período, a primazia desta cidade no relacionamento com o ex-Núcleo Colonial, uma vez que diversas escrituras foram feitas em Araras, ao contrário do que ocorria normalmente, que era serem feitos em Limeira ou Rio Claro. 

                Antes de decidir pela sua aprovação, foram consultadas as autoridades constituídas no Município de Limeira, que, naquele tempo eram a Câmara Municipal, já que não existia ainda o cargo de Prefeito, e o Juiz da Comarca. A resposta do Legislativo limeirense, assinada pelo seu Presidente, Manoel de Toledo Barros, justamente homenageado na antiga rua do Comércio e que, atualmente, passa em frente da Prefeitura era de que “o distrito policial de Cordeiros está em condições de ser elevado a distrito de paz”. Assinaram em conjunto os vereadores Dr. Epiphanio Prado, vice-presidente, Candido Pereira Gustavo, intendente (antecessor do prefeito), Francisco Sergio de Toledo, Theodoro Kuhl, e Antonio Custodio de Oliveira, sendo contrário o capitão Angelo Piscitelli, deixando de votar Daniel Baptista de Oliveira. 

                A resposta do Judiciário, chefiado pelo juiz Gastão de Souza Mesquita, representou mais uma tentativa das autoridades limeirenses em impedir a melhoria das condições da localidade. Em seu ofício, o juiz disse que “Cordeiro não tem movimento forense que exija a sua elevação a distrito”, além de “estar tão próximo de Limeira”. Ainda mais, alegou que “dificilmente se conseguirá em Cordeiros pessoal apto para os cargos de juiz de paz, fato que se observa atualmente no preenchimento dos cargos policiais”. 

                Apesar das manifestações divergentes, a Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados manifestou-se favorável à aprovação do projeto, no dia 17 de julho, sendo o projeto aprovado em 19, 20 e 21 de julho, nas três votações necessárias, sendo encaminhado ao Senado Estadual no dia seguinte. 

                No Senado, o projeto caminhou de forma acelerada, sendo aprovado pela Comissão de Justiça em 27 de julho, e nas outras votações nos dias seguintes, sendo a “redação final”, de 1º de agosto, aprovada no dia 4, sexta-feira. Na segunda-feira 7 de agosto foi assinada a lei, pelo então Presidente do Estado, Coronel Fernando Prestes de Albuquerque, sendo publicada no Diário Oficial do Estado no dia 22. A partir disto, estava aberto o caminho para a criação do cartório de registro civil e de notas, que seria instalado em novembro do mesmo ano. 

                Em decorrência desta mudança, foram realizadas em 30 de outubro de 1899 a eleição para os cargos de juiz de paz, definindo a partir daquele momento as autoridades legalmente constituídas do distrito. A subprefeitura, criada em decorrência da criação do cargo de Prefeito Municipal, destacado do Legislativo, só seria instalada em 1908. Quanto às autoridades policiais, a subdelegacia existente ficaria desta forma até a década de 1940, quando foi finalmente elevada a Delegacia de Polícia do Município. 

113 anos da criação do Distrito de Cordeiro - 2


                Em 20 de junho de 1899 o deputado Cândido Motta apresentou o projeto de lei nº 80, elevando a distrito de paz aquilo que era, naquele momento, designado por “distrito policial de Cordeiro”. Acompanhava a proposta um abaixo assinado, com 165 assinaturas, liderados pelos negociantes e proprietários José Firmino Bueno, Levy & Cia., Antonio Ferreira Gaio, Augusto Simões Subtil e Vita & Orrico, seguindo-se após as assinaturas dos cidadãos, dentre elas: Pedro Battistela, intitulando-se proprietário de uma fábrica de cerveja, Batista Stocco, Manoel Ferreira das Neves, Giacomo Frattini, Carlos Steinmeyer, farmacêutico, João Lucke, negociante, Augusto Lucke, cervejeiro, Braz Marotta, o médico do local, José Tella, sapateiro, Eugenio Betanho, “José Levi”, uma professora da escola pública existente, Maria das Dores Corrêa, os fazendeiros Onofre e Antonio Camargo Neves, proprietários na região da Água Branca. 

                O abaixo-assinado destacava os motivos pelos quais a povoação deveria ser elevada a distrito, dizendo que ela era constituída de “142 casas cobertas de telhas, com cinco padarias, dois açougues, uma serraria a vapor, três fábricas de aguardente, duas de cerveja, duas farmácias, duas alfaiatarias, dois restaurantes, um hotel, funilaria, barbearia, bilhar, marcenaria, além de importantes casas de comércio de secos e molhados, ferragens, fazendas e roupas feitas”. 

                Demonstrando a riqueza da povoação, eram citadas as fazendas situadas em seus limites: Ibicaba, de Levy e Irmão; Santo Antonio e Saltinho, de Antonio Monteiro dos Santos, Bosque, de Vianna & Irmão, Santana, da Baronesa de Jundiaí (...), Santo Antonio, de Reginaldo de Moraes Salles, Botafogo, de Francisco de Campos Ferraz, Santa Teresa, do Dr. Portela, Boa Vista, do dr. Fabio Ramos, Boa Vista, do Comendador José Ferraz de Sampaio, além de outras sem proprietários conhecidos: Matão, Barreiro, Catingueiro, Palmeira, Santa Maria e Jardim, citando, por fim, o “ex-Núcleo Colonial de Cascalho”.  

113 anos da criação do Distrito de Cordeiro - 1


7 de Agosto: 113 anos de criação do Distrito de Paz de Cordeiro

                Na próxima terça-feira, 7 de agosto, lembram-se os 113 anos de criação do Distrito de Cordeiro, através da Lei Estadual nº 645. Após aproximadamente quinze anos de seu estabelecimento, a comunidade de Cordeiro, que incluía o bairro do Cascalho, mobilizou-se para elevação do então “distrito policial” a distrito de paz, o que indicava, além da nomeação de juízes de paz, que serviam para aplicar a justiça em forma de conciliação, a criação de um cartório de registro civil e notas, facilitando a vida não só da população, como especialmente os comerciantes existentes na localidade. 

                A praga do esquecimento, que acomete grande parte da população brasileira, especialmente os governantes, também pegou em Cordeirópolis, e foi difícil de ser debelada. Nosso primeiro trabalho na área da recuperação da história e memória locais foi em 1993, quando apresentamos à Câmara Municipal os motivos pelos quais a data do brasão do Município estaria errada, apontando, naquela época em que não existia a internet, os livros e documentos originais que mostravam a verdadeira data de criação do distrito. 

                No final da década de 1940, quando do Movimento Pró-Município de Cordeirópolis, não havia o desconhecimento desta data, pois a carta inicial dos emancipadores citava explicitamente os 49 anos passados desde a instituição do distrito. Inexplicavelmente, quando foi enviado um texto para figurar na “Enciclopédia dos Municípios Brasileiros” do IBGE, publicada em 1957, ele foi publicado com erro tipográfico, mostrando o fato em 1889 e não 1899. 

                Em 1967, quando criada a bandeira e o brasão do Município, o profissional contratado para o serviço usou dos poucos materiais existentes, já que a cidade, apesar de emancipada desde 1948, não contava com biblioteca, nem com museu e muito menos com arquivo municipal. As repartições mais antigas (cartório, coletorias) também não se mostraram interessadas em colaborar, ou não foram consultadas. Assim, a Lei Municipal nº 483 cristalizou um erro que só seria desconstruído mais de 25 anos depois, através da Lei Municipal nº 1793, de 19 de outubro de 1993, sancionada pelo então prefeito José Geraldo Botion. 

                Com a brilhante iniciativa da Assembleia Legislativa de São Paulo, em escanear e dispor na internet os raros documentos de seu acervo, pudemos finalmente recuperar as fases por que passou a representação dos moradores de Cordeiro, até chegar à criação do distrito de paz.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Cordeiro no Correio Paulistano - III


126 anos da capela, depois igreja de Santo Antonio

                Antes de considerar e descobrir o documento que comprova a existência da povoação de Cordeiro, fixando a sua data de surgimento como 29 de janeiro de 1887, teria se conservado uma escritura onde se vendia um lote de terra na rua 7 de Setembro, na então “Capela de Santo Antonio dos Cordeiros”.

                Na edição de 14 de março de 1886, uma pequena nota comprova, dando uma espécie de registro de nascimento ao principal e mais antigo templo católico do Município, cujas festividades se encerram neste domingo. Diz a nota anônima: “Foram inaugurados, a 9 do corrente, na estação de Cordeiros, linha férrea Paulista, os trabalhos de construção de uma capela que será erigida sob a invocação de Santo Antonio.”

                Visita dos imperadores à Fazenda Ibicaba

                O Correio Paulistano de 14 de novembro de 1886 descreveu o itinerário do imperador e de sua comitiva em mais uma de suas viagens. Desta vez, no dia 8 de novembro, após uma viagem de 30 minutos entre Rio Claro e Cordeiro, os imperadores desembarcaram com destino à Fazenda Ibicaba, para um almoço.

Segundo o jornal, havia duzentos homens, moradores na vizinhança, a cavalo, com estandartes de diversas nacionalidades para recebê-los. Destacou-se que a fazenda continha 1.700 alqueires, cerca de 1,2 milhão de pés de café, com grande pomar, horta e casa de banho, com duas novas plantações, a Tetéa e a Puranga, perfazendo, no total, 270 colonos maiores e menores de nacionalidades diversas, 320 escravos adultos, 136 crianças escravas e 27 libertos. Terminada a visita à fazenda, Suas Majestades retornaram a São Paulo.

Libertação antecipada

Já destacamos há algum tempo que, em vista dos problemas causados por fugas e rebeliões de escravos, especialmente pela ação dos “caifases”, que providenciavam a libertação dos negros, a maioria dos proprietários que ainda tinham estes vínculos manifestavam na imprensa, suas medidas, para que a abolição, em tramitação no Parlamento brasileiro, fosse apressada.

Antes das medidas tomadas pela Câmara de Limeira, de libertar os escravos do Município sem que a legislação nacional fosse aprovada, o proprietário, e considerado o fundador de Cordeirópolis, Manoel Barbosa Guimarães comunicou, na edição do Correio Paulistano de 20 de janeiro de 1888, que teria libertado seus 17 escravos. Em comparação com a Fazenda Ibicaba, percebe-se que Guimarães era um pequeno proprietário, tendo aproveitado para lotear seu sítio visando a formação da cidade.

Pela recuperação e disseminação das informações, devemos agradecer à Biblioteca Nacional, ao Arquivo do Estado de São Paulo e ao “Center for Research Libraries”, um consórcio de bibliotecas, colégios e bibliotecas de pesquisa dos Estados Unidos,composta por 42 bibliotecas norte-americanas que criou, em 1975, o programa Latin American Microform Projects e, através dele, realiza a microfilmagem de acervos latino-americanos.

Cordeiro no jornal Correio Paulistano - II


Luz elétrica

Já tínhamos conhecimento, através de publicação da antiga CESP, sobre o início da energia elétrica em Cordeiro no ano de 1903, mas poucas informações além disso foram conseguidas. Nâo pudemos, por motivos alheios a nossa vontade, destacar o centenário da energia elétrica em 2003, mas esperamos faze-lo nos 110 anos, em 2013. O Correio Paulistano de 24 de julho informou, nas notícias de Limeira, o início do funcionamento da força elétrica em 15 de agosto daquele ano.

Primeira escola

Como já apontamos recentemente, a primeira escola criada pelo Governo do Estado teve sua existência legalizada a partir da Lei nº 4, de 6 de fevereiro de 1889. O Correio Paulistano registrou, não só o abaixo assinado pelo qual os habitantes do bairro solicitaram estes serviços, como a nomeação do primeiro professor. O Correio Paulistano de 17 de fevereiro de 1887 registrou a apresentação, pelo deputado Aquilino do Amaral, de representação dos moradores de Cordeiro visando a criação de uma escola masculina, a comprovação dos 125 anos documentados de nossa cidade.  

O Correio Paulistano de 29 de julho de 1890 registrou o pedido de licença do professor Luiz Guilherme Savoy do cargo que ocupava de “professor público” do bairro dos Cordeiros, município de Limeira. Conforme já sabemos, a escola vaga a partir da licença de seu titular foi transformada em mista. A edição do jornal do dia 4 de janeiro de 1891 registrou abertura de concurso para provimento das cadeiras vagas em todo o Estado, consignando a “escola mixta” de Cordeiro para ser ocupada por uma professora. Em 8 de abril do mesmo ano, foi publicada a nomeação da professora Adelina Isabel de Almeida para  esta classe. 

                Dinamarqueses no Bairro do Cascalho

                Imigrantes da Suécia e Dinamarca passaram pelo bairro no fim do século XIX. O “Correio Paulistano” dá duas referências do período em que estes imigrantes passaram por nossa cidade. Na edição do dia 10 de fevereiro de 1887, é publicada uma relação dos destinos que tiveram os imigrantes entrados na Hospedaria Provincial durante o mês de janeiro daquele ano. Para Cordeiro, foram encaminhados 59 dinamarqueses, especificamente para o Núcleo Colonial de Cascalho que, como sabemos, não se adaptaram ao local e seguiram outros rumos.

A edição de 24 de abril do mesmo ano destaca a concessão de passagens gratuitas, pelo governo, para os imigrantes “Carl Pedessen, Soren Jacobsen e Peter Hansen” para a estação de Cordeiro. Por pesquisas realizadas há algum tempo, Soren Jacobsen chegou a comprar um lote no Cascalho, vendendo-o posteriormente a um imigrante italiano.

Os primeiros anos de Cordeiro no jornal Correio Paulistano - I


Os primeiros anos de Cordeiro no “Correio Paulistano”

Após a publicação de nosso primeiro artigo do mês, tomamos conhecimento da existência da coleção digital do “Correio Paulistano”, jornal da Capital que circulou entre 1854 e 1963, hospedada no site da Biblioteca Nacional.  Como na semana anterior, vamos destacar algumas informações interessantes sobre Cordeiro que só puderam descobertas com a digitalização e disponibilização dos exemplares deste periódico.

Festa de São João

Na edição de 12 de junho de 1902, uma curta nota dizia que em Cordeiro estaria se preparando os festejos de São João. Vale lembrar que a igreja matriz já estava em funcionamento há mais de 15 anos e conservava seu prédio original, que não é o desenho que está sendo recuperado com as obras atuais.

Passagem do imperador D. Pedro pela estação de Cordeiro

A edição do Correio Paulistano de 5 de novembro de 1886 cita uma passagem do imperador D. Pedro II pela região. A reportagem inicia falando da passagem pela estação de Descalvado, seguindo-se a Araras, onde foi recebida pelo fazendeiro José de Lacerda Guimarães. Depois de pernoitar na cidade, a família imperial visitou alguns locais da cidade, tendo seguido viagem no dia seguinte, em direção a Jundiaí, tendo o trem parado em Cordeiro, Limeira e Campinas, “a velocidade sempre de mais de 60 km por hora”.

Agência dos Correios

Pela edição de 25 de dezembro de 1879 tivemos conhecimento que, naquela semana, teriam sido criadas agências dos Correios em diversas localidades, especialmente a de Cordeiro que, naquela época, deveria servir à estação ferroviária da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, já que, comprovadamente, neste momento, ainda não estava iniciada a povoação.

Epidemias

Com base em informações conseguidas há mais de 15 anos em arquivos de Limeira, soubemos, e já tivemos oportunidade de publicar na imprensa local, detalhes sobre as epidemias que atingiram Cordeiro no final do século XIX. O Correio Paulistano não deixou de destacar, na sua edição de 30 de abril de 1892, que teriam sido visitados por uma comissão sanitária as cidades de Limeira, Rio Claro, Campinas, Santos e os “pequenos povoados” de Cordeiro e Porto Ferreira, ressaltando, mais uma vez, a antiguidade da povoação, que comprovadamente tem mais de 120 anos por esta passagem.

Um mês antes, em 24 de março, o mesmo jornal indicou que havia um farmacêutico “por conta do governo”, um desinfetador e um médico; que teria sido nomeado um “delegado de higiene”, com poderes para tomar todas as providências e socorrer os indigentes, montar enfermaria e adquirir local para enterramento.

Conforme já tínhamos citado, com relação ao preciso texto do memorialista Evaristo José Rodrigues, publicado pela Prefeitura Municipal em 1995, as suas opiniões são praticamente repetidas pela reportagem, que diz: “os cadáveres eram conduzidos a Limeira, a distância de três léguas (aproximadamente 18 km), alguns à mão, por falta de transporte”.

Artigos

Em breve, iremos colocar links para os artigos que estão sendo publicados no jornal "Expresso Regional". Aguardem!